Minha experiência no digital: entre tentativas, frustrações e um novo olhar 

Minha História, Minha Verdade

Se alguém me perguntasse, há alguns anos, como foi a minha experiência no digital, eu responderia sem pensar muito: eu só queria ganhar dinheiro. Não havia sonho embalado nisso. Não havia propósito construído com cuidado. Havia necessidade — crua, urgente e sem margem para romantismo. 

Logo depois da pandemia, a vida apertou de um jeito que eu nunca havia sentido antes. As contas foram se acumulando, as certezas foram desaparecendo, e no meio daquele turbilhão, eu só pensava em uma coisa: eu preciso dar um jeito. Não importava como. Não importava o quê. Importava resolver. 

E foi assim — sem planejamento, sem clareza, sem um norte definido — que eu decidi trabalhar no digital. Não como uma escolha consciente. Mais como uma aposta desesperada. Uma esperança mal formulada de que ali, naquele universo que eu mal conhecia, eu encontraria alguma saída. 

Quando o desespero fala mais alto que o propósito 

Eu não comecei a minha experiência no digital com um plano bem desenhado numa planilha. Eu comecei tentando sobreviver. E existe uma diferença enorme entre essas duas coisas. 

Quando a gente age movida pelo desespero, as decisões não saem da clareza — elas saem do medo. Do pânico silencioso de não conseguir pagar o aluguel, de ver o saldo negativo toda vez que abre o aplicativo do banco, de sentir que o tempo está passando e nada está mudando. Essa urgência cria um estado mental de sobrevivência, onde qualquer coisa que pareça uma oportunidade vira uma tábua de salvação. 

Era uma decisão tomada na urgência, não na clareza. E quando a gente está nesse lugar, a gente não escolhe muito — a gente tenta. Tenta de forma desordenada, muitas vezes sem entender o que está fazendo, sem saber se aquilo realmente faz sentido para quem ela é. 

O digital como promessa de solução 

Na minha cabeça naquele período, o digital era o caminho para resolver tudo. Uma forma de tentar ganhar dinheiro online, mudar de vida, talvez até recomeçar do zero. A internet estava cheia de histórias de pessoas que haviam transformado realidades difíceis em histórias de sucesso. E eu queria — desesperadamente — que aquilo fosse possível para mim também. 

Mas ninguém fala muito sobre a realidade de trabalhar no digital quando você entra sem direção, sem mentor, sem dinheiro para investir em cursos decentes, sem rede de apoio e, principalmente, sem saber quem você é ou o que tem de valor para oferecer ao mundo. O que eu vi, na maior parte do tempo, foram promessas que não se sustentavam — e uma sensação crescente de que talvez eu estivesse falhando em algo que parecia funcionar para todo mundo. 

Tudo o que tentei no digital (e por que nada funcionou) 

A minha experiência no digital foi construída sobre uma série interminável de tentativas. Cada uma delas carregava uma esperança renovada — e cada fracasso deixava um rastro de dúvida ainda maior do que o anterior. 

Eu fui tentando tudo que parecia ser uma oportunidade: pesquisas pagas, joguinhos que supostamente pagavam por assistir anúncios, um curso de marketing digital que me prometia uma nova carreira, este blog que comecei sem saber muito bem o que eu tinha a dizer, trabalho como freelancer digitadora, tudo que desse pra fazer com ajuda de IA e, por último, o mercado de afiliadas — onde eu acreditei que finalmente encontraria algo que funcionaria. 

E, sendo completamente honesta: eu não tive sucesso no digital em nenhuma dessas tentativas. Pelo menos não da forma que eu estava esperando. Pelo menos não da forma que eu precisava naquele momento. 

O que ninguém fala sobre a frustração no digital 

Quando eu digo que não deu certo, não estou falando apenas sobre números na conta bancária. Porque, na prática, eu quase não vi retorno financeiro em nenhuma dessas experiências. Mas o mais difícil — o que realmente pesava — era lidar com a frustração no digital de um jeito que vai além do dinheiro. 

É a sensação de estar sempre no começo. De investir tempo, energia emocional e, quando possível, dinheiro, em algo que simplesmente não sai do lugar. De ver outras pessoas aparentemente avançando enquanto você permanece no mesmo ponto. De se perguntar se o problema está no mercado ou em você mesma. 

A frustração no digital tem um peso particular porque ela vem embalada em silêncio. A gente não conta para muita gente — porque existe uma vergonha implícita em “tentar ganhar dinheiro online” que não deu certo. Um julgamento que a gente antecipa antes mesmo de ele acontecer. 

Mais do que dinheiro: a falta de sentido 

Mas teve algo ainda mais profundo do que a frustração financeira. Algo que demorou mais tempo para eu conseguir nomear. 

Nada me preenchia. Nenhuma das coisas que eu tentava gerava em mim aquela sensação de estar no lugar certo, fazendo a coisa certa. Tudo parecia pesado. Cansativo. Desconectado de quem eu sou. 

Era como se eu estivesse performando uma versão da realidade do marketing digital que não combinava com a minha história, com os meus valores, com o que eu genuinamente queria construir. E isso vai desgastando a gente por dentro de um jeito que é difícil de perceber enquanto está acontecendo. Você continua tentando — mas cada tentativa custa mais energia, cada recomeço parece mais difícil, e a dúvida sobre se você é capaz vai se tornando cada vez mais barulhenta. 

O ponto de virada: quando comecei a olhar diferente 

Em algum momento — e eu não saberia dizer exatamente quando — a minha experiência no digital começou a mudar. Não por fora. As tentativas continuavam. Os resultados concretos continuavam escassos. Mas algo se movia internamente, de forma lenta e quase imperceptível. 

Não foi uma virada dramática. Não foi um momento de iluminação súbita. Foi mais como um sussurro persistente que foi ficando mais alto com o tempo, me fazendo perceber que talvez eu estivesse olhando para tudo do jeito completamente errado. 

A vida acontecendo ao mesmo tempo 

Enquanto eu tentava fazer o digital dar certo, a vida seguia acontecendo em paralelo — e não era pouca coisa. 

Câncer. Divórcio. Ser mãe solo de adolescente. A vida de autônoma com toda a instabilidade que isso carrega. Menopausa chegando sem avisar. Dívidas se acumulando. Compulsões que eu precisava encarar. Cada um desses elementos sozinho já seria suficiente para desestruturar qualquer pessoa. Juntos, eles formavam uma tempestade constante. 

E foi no meio disso tudo que eu comecei a me perguntar com mais seriedade: o que tudo isso está tentando me mostrar? Qual é o fio que conecta todas essas experiências? O que existe de significado em tudo o que estou vivendo? 

O que tudo isso começou a me mostrar 

Foi aí que algo virou uma chave dentro de mim — lenta, mas definitivamente. 

Talvez nunca tenha sido só sobre dinheiro. Talvez a minha experiência no digital — com todos os seus tropeços, todas as suas frustrações, todas as suas tentativas que não chegaram onde eu queria — não fosse sobre acertar a fórmula perfeita. Talvez fosse sobre outra coisa inteiramente. 

Sobre me encontrar. Sobre olhar para a minha história com honestidade e sem julgamento. Sobre parar de fugir de mim mesma e começar a entender o que eu realmente tenho a oferecer — não como produto, mas como ser humano que viveu coisas reais e tem algo verdadeiro para compartilhar. 

Por que decidi continuar (mas de outro jeito) 

Hoje, quando penso na minha experiência no digital, eu consigo vê-la com outros olhos. Não com os olhos de quem está desesperada para sobreviver — embora esse desespero tenha sido real e legítimo. Mas com os olhos de alguém que, aos tropeços e com muita dificuldade, está começando a entender o que veio fazer aqui. 

Não é mais sobre tentar ganhar dinheiro a qualquer custo, de qualquer forma, com qualquer coisa que pareça uma oportunidade. É sobre expressão. É sobre encontrar uma linguagem própria para dizer o que precisa ser dito. É sobre construir algo que tenha a minha cara — mesmo que isso seja mais lento, mesmo que seja mais difícil, mesmo que a maioria das pessoas não entenda por que eu continuo. 

Não é mais só sobre mim 

E, aos poucos, eu fui percebendo que talvez isso não seja só sobre mim. Porque quando eu começo a falar com honestidade sobre o que vivi — sobre a frustração no digital, sobre tentar ganhar dinheiro online sem saber o que estava fazendo, sobre a sensação de estar sempre tentando e nunca chegando — eu percebo que não estou sozinha nisso. 

Existem outras mulheres passando por fases parecidas. Se sentindo perdidas no meio de uma vida que não saiu como planejado. Tentando recomeçar sem saber muito bem por onde. Carregando histórias pesadas e ao mesmo tempo tentando construir algo novo no mundo digital — que parece tão cheio de promessas e ao mesmo tempo tão hostil para quem chega sem manual. 

Para quem também carrega o peso de uma história difícil e está tentando se reencontrar no meio do caminho, o artigo Os desafios da autoestima feminina — Academia de Autoestima fala exatamente sobre isso: como a falta de autoconhecimento nos faz viver à sombra das expectativas dos outros — e como é possível mudar isso. 

Leia também:  O que revela a necessidade de sempre mudar sobre sua vida interior 

Conclusão 

A minha experiência no digital começou como uma tentativa de sobreviver. De tapar buracos. De encontrar uma saída para um momento de vida que parecia não ter saída. 

Mas hoje eu começo a perceber que talvez exista algo maior aqui. Não maior no sentido de grandioso ou espetacular — mas maior no sentido de mais verdadeiro. Mais alinhado com quem eu realmente sou, com o que eu realmente passei, com o que eu realmente tenho a dizer. 

Ainda não está tudo resolvido. Ainda estou no caminho. Ainda há dias em que eu me pergunto se faz sentido continuar. Mas a diferença é que, dessa vez, eu estou presente. Não estou aqui por desespero ou por falta de opção. Estou aqui por escolha — ainda que uma escolha imperfeita, construída dia a dia. 

E existe uma verdade simples que eu estou começando a entender: 

A verdade liberta — mas primeiro, ela pede coragem. 

E talvez seja exatamente isso que eu esteja fazendo agora: parando de fugir. E começando, finalmente, a me escolher.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *